Maio Vermelho: saiba que o câncer bucal não é só de quem fuma ou bebe

Todo mês de maio, o vermelho ganha as redes sociais, os consultórios odontológicos e as campanhas de saúde do Brasil inteiro. O Maio Vermelho é a campanha de conscientização sobre o câncer bucal, uma doença que afeta cerca de 15 mil brasileiros por ano e que ainda é descoberta tardiamente na maioria dos casos.

E existe um equívoco muito comum que precisamos desfazer logo de início: o câncer bucal não é exclusividade de quem fuma ou consome bebidas alcoólicas em excesso. Qualquer pessoa pode desenvolver esse tipo de câncer. Conhecer os sinais de alerta e os fatores de risco é uma responsabilidade de todos nós.

O que é o câncer bucal

O câncer bucal é um tumor maligno que pode se desenvolver em diversas estruturas da boca: lábios, língua (especialmente nas laterais e na parte inferior), gengivas, bochechas, céu da boca e a região sob a língua. Ele se caracteriza pelo crescimento descontrolado de células anormais nessas regiões.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 10.900 novos casos de câncer de cavidade oral no Brasil em 2025. A doença é mais frequente em homens acima dos 40 anos, mas pode afetar pessoas de todas as idades e perfis.

Um dado preocupante: mais de 50% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de cura e pode levar a sequelas mais graves. Por isso, a conscientização é tão urgente.

Quais são os fatores de risco?

O tabagismo e o consumo excessivo de álcool são, de fato, os principais fatores de risco para o câncer bucal. Quando combinados, esses dois hábitos aumentam o risco de forma significativa. Mas é fundamental saber que existem outros fatores:

Infecção pelo HPV: o Papilomavírus Humano, transmitido pelo contato sexual incluindo o sexo oral, é um fator de risco crescente para o câncer bucal e de orofaringe, especialmente em adultos jovens.

Exposição solar sem proteção: os lábios são altamente vulneráveis aos raios ultravioleta. A ausência de protetor labial com FPS aumenta o risco de câncer nessa região.

Má higiene bucal: a negligência com a higiene da boca favorece inflamações crônicas que podem, ao longo do tempo, aumentar o risco de lesões malignas.

Próteses dentárias mal adaptadas: lesões crônicas causadas por próteses que não se encaixam corretamente podem evoluir para lesões malignas se não tratadas.

Histórico familiar: a predisposição genética também é um fator que merece atenção.

Formas alternativas de fumo: vape, narguilé e cigarro de palha são igualmente prejudiciais e frequentemente subestimados, mas representam riscos reais para a saúde bucal.

Quais são os sintomas de alerta?

O câncer bucal é muitas vezes indolor nos estágios iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio. Fique atento a:

Feridas na boca que não cicatrizam em 21 dias: qualquer lesão que persista por três semanas sem melhora precisa ser avaliada por um profissional.

Manchas vermelhas ou esbranquiçadas: áreas avermelhadas (eritroplasia) ou esbranquiçadas (leucoplasia) na língua, gengivas, bochechas ou palato merecem atenção imediata.

Nódulos ou espessamentos: caroços, inchaços ou endurecimentos na boca ou no pescoço, especialmente se persistentes.

Dor ao mastigar ou engolir: dificuldade persistente para se alimentar ou engolir, muitas vezes acompanhada de dor de ouvido.

Rouquidão persistente: mudança na voz que se estende por mais de duas semanas sem causa aparente.

Mau hálito intenso e persistente: quando não relacionado a questões de higiene, pode ser sinal de lesão.

Saliva com traços de sangue: sangramento na boca sem causa identificada merece avaliação profissional.

Como fazer o autoexame bucal?

O autoexame bucal é simples, rápido e pode ser feito em casa. O ideal é repeti-lo mensalmente:

  1. Com as mãos limpas e diante de um espelho com boa iluminação, examine os lábios por dentro e por fora.
  2. Abra bem a boca e observe gengivas, bochechas, o céu da boca e a parte de baixo da língua.
  3. Coloque a língua para fora e observe suas laterais e a superfície superior.
  4. Palpe suavemente o pescoço e a região sob o queixo, procurando por caroços ou endurecimentos.
  5. Se identificar qualquer alteração que persista por mais de 21 dias, procure um dentista ou médico imediatamente.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico começa com uma avaliação clínica por um dentista ou médico especializado. Em casos suspeitos, uma biópsia é realizada para análise do tecido. A confirmação do tipo e do estágio da doença define o protocolo de tratamento.

Quando diagnosticado precocemente, o câncer bucal tem taxa de cura de até 80%. Esse número cai dramaticamente quando o diagnóstico acontece em fase avançada.

As principais modalidades de tratamento incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de forma isolada ou combinada, de acordo com as características de cada caso. Antes do início do tratamento, a adequação bucal pelo dentista é fundamental para reduzir complicações como a mucosite oral, inflamação dolorosa causada pela radioterapia.

Prevenção: o que está ao nosso alcance

Muitos fatores de risco do câncer bucal podem ser controlados com escolhas do dia a dia:

Não fume: em nenhuma forma. Cigarro, charuto, narguilé e vape são igualmente prejudiciais.

Reduza o consumo de álcool: e evite a combinação de álcool com tabaco.

Vacine-se contra o HPV: disponível gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes, e importante para adultos jovens também.

Use protetor labial com FPS: especialmente se você trabalha ou passa muito tempo ao sol.

Mantenha higiene bucal rigorosa: escovar os dentes e usar fio dental regularmente são hábitos simples que fazem grande diferença.

Visite o dentista regularmente: pelo menos uma vez ao ano para avaliação preventiva completa.

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