Durante o tratamento do câncer, o corpo passa por transformações intensas. Quimioterapia, radioterapia, cirurgias e cada protocolo exige do organismo uma resiliência extraordinária. E em meio a tantos cuidados com medicamentos, alimentação e repouso, existe um hábito simples, acessível e poderoso que muitas vezes passa despercebido: beber água.
A hidratação adequada durante o tratamento oncológico não é detalhe. É parte essencial do cuidado.
O que acontece no corpo durante o tratamento?
Os tratamentos para o câncer podem causar efeitos colaterais que comprometem diretamente o equilíbrio hídrico do organismo. Náuseas, vômitos, diarreia, febre e sudorese intensa são sintomas comuns que levam à perda acelerada de líquidos e eletrólitos.
Além disso, alguns medicamentos quimioterápicos são nefrotóxicos, ou seja, podem sobrecarregar os rins. A ingestão adequada de água ajuda a:
- Proteger esses órgãos;
- Facilita a eliminação de substâncias tóxicas;
- Contribui para que o organismo metabolize os medicamentos de forma mais eficiente.
A desidratação, por outro lado, pode agravar a fadiga, causar tontura, dores de cabeça, confusão mental e até comprometer a continuidade do tratamento, caso leve a internações ou ajustes nas doses dos medicamentos.
Quanto de água é o suficiente?
A quantidade ideal de ingestão de líquidos varia de acordo com o tipo de tratamento, o peso corporal, o clima e os efeitos colaterais que cada pessoa experimenta.
“Em geral, recomenda-se a ingestão de pelo menos 2 litros de líquidos por dia, mas é fundamental seguir as orientações da equipe médica e do nutricionista”, explica a nutricionista oncológica da Re.Comece, Ludmilla Muglia.
Ela complementa que em alguns casos específicos, como pacientes com retenção de líquidos ou problemas cardíacos, a restrição hídrica pode ser indicada. Nunca mude seus hábitos sem orientação profissional.
Mas e quando beber água é difícil?
Uma das queixas mais comuns de quem está em tratamento é a dificuldade de ingerir água. Seja pela náusea, pela alteração no paladar (muito frequente durante a quimioterapia), pela falta de apetite ou simplesmente por não sentir sede.
Ludmilla, nos dá algumas estratégias que podem ajudar:
Água aromatizada: adicione fatias de limão, laranja, gengibre, hortelã ou pepino à água. O sabor suave pode tornar a ingestão mais agradável.
Chás frios: chás naturais sem cafeína, servidos frios, podem ser uma boa alternativa. Converse com seu nutricionista sobre quais são seguros para o seu caso.
Gelo e picolés: chupar pedaços de gelo ou picolés de frutas naturais pode aliviar enjoos e contribuir para a hidratação.
Sopas e caldos: alimentos líquidos contam! Caldos nutritivos e sopas leves, com pouco sal e sem uso de aditivos artificiais que dão sabor, são formas afetuosas e nutritivas de hidratar o corpo.
Alarmes no celular: lembrar-se de beber água pode ser desafiador em dias de cansaço intenso. Programar lembretes ao longo do dia ajuda a criar o hábito.
Sinais de alerta: quando buscar ajuda?
Fique atento a sinais que indicam desidratação e que exigem atenção médica imediata:
- Urina muito escura ou ausência de urina por mais de 8 horas;
- Tontura intensa ou desmaio;
- Boca e lábios muito secos;
- Confusão mental ou desorientação;
- Vômitos persistentes que impedem a ingestão de qualquer líquido.
Nesses casos, procure imediatamente sua equipe médica ou o pronto-socorro. Não espere.
A cozinha afetiva como aliada da hidratação
Na Re.Comece, o projeto Vida em Movimento com a oficina culinária Cozinha Afetiva tem o papel de mostrar aos pacientes informações sobre como a alimentação pode ser uma fonte de conforto e nutrição durante o tratamento.
A ArcelorMittal Tubarão, parceira do Instituto Re.Comece, apoia essa iniciativa que promove a qualidade de vida de pacientes e familiares em tratamento oncológico. Juntos, acreditamos que cuidar bem começa pelos gestos mais simples, como um copo d’água servido com amor.