O que acontece com o corpo e a mente quando nos movimentamos

Existe uma frase que a ciência e a experiência humana confirmam juntas: o movimento cura. Não de forma mágica ou promessas exageradas, mas de um jeito real, mensurável e profundo. Quando o corpo se move, algo especial acontece: hormônios são liberados, músculos se fortalecem, o cérebro se reorganiza e o espírito encontra um novo fôlego.

Para pacientes em tratamento oncológico, a atividade física adaptada às condições de cada pessoa pode ser uma das ferramentas mais transformadoras do cuidado. E na Re.Comece, nós acreditamos e praticamos diversas atividades, como verá ao longo desse artigo.

O que acontece no corpo

Do ponto de vista fisiológico, o movimento desencadeia uma série de reações benéficas:

Liberação de endorfinas: conhecidas como os ‘hormônios da felicidade’, as endorfinas são liberadas durante a atividade física e produzem sensação de bem-estar, aliviam dores e reduzem o estresse.

Melhora da circulação: o movimento aumenta o fluxo sanguíneo, o que favorece a oxigenação dos tecidos e pode ajudar o organismo a se recuperar dos efeitos dos tratamentos.

Fortalecimento muscular e ósseo: a quimioterapia pode enfraquecer músculos e ossos. Exercícios regulares e adaptados ajudam a preservar a massa muscular e a densidade óssea.

Redução da fadiga oncológica: paradoxalmente, mover-se ajuda a combater o cansaço extremo que muitos pacientes relatam. Estudos mostram que a atividade física moderada reduz significativamente a fadiga durante o tratamento.

Fortalecimento do sistema imunológico: o exercício regular modula positivamente o sistema imunológico, contribuindo para a defesa do organismo.

E o que acontece com a mente?

Os benefícios do movimento vão muito além do físico. Para quem enfrenta o diagnóstico de câncer, o impacto emocional pode ser devastador: ansiedade, medo, tristeza, sensação de perda de controle sobre o próprio corpo. O movimento é uma das respostas mais poderosas a esse estado.

Quando nos movemos, especialmente em grupo ou em contextos criativos, o cérebro recebe estímulos que promovem conexão, pertencimento e propósito. A mente encontra foco e presença. E o corpo, que tantas vezes parece ter se tornado território de dor e estranheza, volta a ser um lugar de força e expressão.

Fisioterapia: cuidado especializado para cada corpo

A fisioterapia oncológica é uma especialidade dedicada a acompanhar pacientes durante e após o tratamento do câncer. Na Re.Comece, a fisioterapia é oferecida de forma gratuita e faz parte de um olhar integral sobre a saúde e tem o apoio da ArcelorMittal Tubarão.

Com técnicas adaptadas a cada fase do tratamento, o fisioterapeuta ajuda a prevenir e tratar complicações como o linfedema (inchaço causado pelo comprometimento do sistema linfático), a dor crônica, as limitações de mobilidade pós-cirurgia e a perda de força muscular. É um trabalho de reconstrução, não apenas do corpo, mas da autoconfiança.

Balé: elegância, força e autoexpressão

A dança tem o poder de reconectar as pessoas com seus corpos de uma forma que poucos outros movimentos conseguem. Nossas aulas de balé são um sucesso e tem revelado talentos, graças ao apoio da Pimenta Dance.

Movimentos suaves, respiração controlada, atenção ao próprio corpo, tudo isso se traduz em ganhos reais: melhora do equilíbrio e da coordenação, fortalecimento muscular gradual, e, acima de tudo, uma reconexão com a graça e a expressividade que o tratamento pode fazer parecer distantes.

Ver-se movendo com elegância, mesmo em meio a um tratamento difícil, é um ato de resistência e de amor-próprio.

Teatro: a voz que o tratamento não pode calar

O teatro oferece algo único: a possibilidade de ser outro, de contar histórias, de dar voz a emoções que muitas vezes ficam represadas.

“Para pacientes em tratamento, as oficinas de teatro são um espaço seguro para expressar medos, esperanças, raiva, alegria e descobrir, no processo, uma força que talvez não soubessem que tinham”, garante Abel Santana, professor, ator e diretor da Oficinal de Teatro que leva seu nome.

Além do impacto emocional, o teatro trabalha a respiração (fundamental durante o tratamento), a postura, a memória e a socialização. O palco, mesmo que seja uma sala simples, se torna um lugar de empoderamento e de comunidade.

Movimento como recomeço

Cada passo dado, cada braço levantado, cada palavra dita em cena é uma afirmação de vida. Mover-se durante o tratamento não é negar a doença — é escolher, a cada dia, não deixar que ela defina quem você é.

Acreditamos que o movimento é parte do tratamento. E que o corpo, quando cuidado com atenção e afeto, tem uma capacidade extraordinária de se reerguer.

 

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